Huaau !

 

Histórias:

 

Ser ou não ser capaz


Estavam duas crianças a patinar em cima de um lago congelado. Era uma tarde nublada e fria e as crianças brincavam despreocupadamente.
De repente, o gelo quebrou-se e uma das crianças caiu à água.
A outra criança vendo que o seu amiguinho se afogava debaixo do gelo, agarrou numa pedra e começou a quebrar o gelo com todas as suas forças, conseguindo assim salvar o seu amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:
- Como é que você fez isso? É impossível que você tenha quebrado o gelo com essa pedra e com as suas mãos tão pequenas!

Nesse instante apareceu um ancião e disse:
- Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
- Como?
O ancião respondeu:
- Não havia ninguém ao seu redor para lhe dizer que não conseguiria fazê-lo! 

 


O piquenique das tartarugas

 

Uma família de tartarugas decidiu sair para um piquenique. As tartarugas, sendo naturalmente lentas, levaram sete anos para se prepararem para o passeio.

Finalmente a família de tartarugas saiu de casa para procurar um lugar apropriado. Durante o segundo ano de viagem encontraram o lugar ideal!

Em aproximadamente seis meses, limparam a área, desembalaram a cesta do piquenique e terminaram os arranjos. Então descobriram que se tinham esquecido do sal. Um piquenique sem sal seria um desastre, todas concordaram.

Após uma longa discussão, a tartaruga mais nova foi a escolhida para voltar a casa e regressar com o sal, pois era a mais rápida das tartarugas. A pequena tartaruga lamentou, chorou, e esperneou. Concordou em ir mas com uma condição: que ninguém comeria até que ela retornasse. A família consentiu e a pequena tartaruga saiu.

 

Três anos passaram e a pequena tartaruga não tinha retornado. Cinco anos... Seis anos... Então, ao sétimo ano da sua ausência, a tartaruga mais velha não aguentava mais conter a sua fome, anunciou que ia comer e começou a desembalar uma sanduíche. Nesse momento, a pequena tartaruga saiu de trás de uma árvore e gritou:

- Viram??! Eu sabia que vocês não iam esperar por mim. Agora que é que eu não vou mesmo buscar o sal. Você vai a caminhar numa praia deserta e encontra uma folha de papel amarrotada na areia.

 

 

O problema ou a solução


Você vai a caminhar numa praia deserta e encontra uma folha de papel amarrotada na areia.

Se começar a resmungar, falando mal de quem atirou o papel para o chão, que é um porco, que não respeita o ambiente, que não é uma pessoa civilizada,... etc. e tal ... e não faz mais nada a não ser reclamar ... você faz parte do problema.

Se apanhar o papel do chão e colocá-lo no lixo você faz parte da solução.

Se sentir que o mundo está perdido, que não há nada a fazer, que todos são uns porcos e, por isso, pega noutra folha de papel a atira-a também para o chão ... VOCÊ É O PROBLEMA !

 

 

O Tolo e o Sábio

"Todos os dias o Mullah Nasrudin ia pedir esmola para a feira, e as pessoas adoravam vê-lo a fazer papel de tolo, com o seguinte truque:
Mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a outra. Nasrudin sempre escolhia a menor. A história correu pelo condado.
Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas, e Nasrudin ficava sempre com a menor. Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudin a ser ridicularizado daquela maneira.

Chamando-o a um canto da praça, disse:
- Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros.

Nasrudin respondeu:
- O senhor parece ter razão, mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para provar que sou mais idiota que elas. O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque.

E cheio de sabedoria acrescentou:
- Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazer é inteligente. Há, saiba, muita sabedoria a se passar por tola e muito tolo a se passar por inteligente.
"Os sábios não dizem o que sabem, os tolos não sabem o que dizem!"

 

 

A mala de Viagem

Conta-se a fábula de um homem que caminhava com grande esforço pela estrada, levando uma pedra numa mão e um tijolo na outra. Nas costas carregava um saco de areia; e à volta do peito trazia vinhas penduradas. Sobre a cabeça equilibrava uma pesada abóbora.

Pelo caminho encontrou um transeunte que lhe perguntou:
“Cansado viajante, por que carregas essa pedra tão grande?”
“É estranho”, respondeu o viajante, “eu nunca tinha dado conta que realmente a carregava.” Então, ele mandou a pedra fora e sentiu-se muito melhor.

Em seguida veio outro transeunte que lhe perguntou:
“Diga-me, cansado viajante, por que carregas essa abóbora tão pesada?”
“Fico feliz que me tenha feito essa pergunta”, disse o viajante, “porque eu não tinha percebido que estava a fazer isso comigo mesmo.”
Então ele mandou fora a abóbora e continuou o seu caminho com passos muito mais leves.

Um por um, os transeuntes foram lhe avisando a respeito das suas cargas desnecessárias.
Ele foi abandonando uma a uma e por fim, tornou-se um homem livre, caminhando como tal.

Qual era na verdade o seu problema? A pedra, a abóbora e os restantes pesos?
Não. O seu maior desafio era a falta de consciência das suas existências. 

 

 

A Águia e a Galinha

Era uma vez, uma grande montanha, onde existiam águias e onde tinham os seus ninhos. Um dia, um tremor de terra fez com que um dos ovos de águia rolasse montanha abaixo. Ele rolou até parar no galinheiro de uma quinta ao pé da montanha. As galinhas, como sempre muito responsáveis, decidiram cuidar do ovo e uma galinha mais velha ficou com a incumbência de chocá-lo e cuidar da educação da pequena ave.

Após algumas semanas, o ovo abriu-se e uma bela águia nasceu. Infelizmente, a pequena águia foi criada como uma galinha e passou a acreditar que era mais uma ave do galinheiro da fazenda. A águia amava o seu lar e a sua família, mas, intimamente, o seu espírito sonhava com algo mais.

Um dia, enquanto removia o chão à procura de insetos, a águia olhou para o céu e viu um grupo de poderosas águias a voar muito alto.

- "OH", gritou a águia, "como eu gostaria de voar como aquelas aves".

As galinhas riram-se e gozaram:

- "Tu não podes voar como aquelas aves. Tu és uma galinha, e as galinhas não voam".

A águia continuou a mirar a sua verdadeira família, a sonhar que poderia estar lá em cima com aquelas belas aves. Mas sempre que ela revelava os seus sonhos, era lembrada que isso não era possível. Isso foi o que a águia aprendeu a acreditar. Com o passar do tempo, a águia parou de sonhar e continuou a viver a sua vida de galinha. Finalmente, após muitos anos a viver como galinha, a águia morreu.

 

 

Os 5 macacos

 

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio da jaula, uma escada, e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia à escada para agarrar as bananas, era accionado um jacto de água fria em cima dos que estavam no chão. Depois de um certo tempo, sempre que um macaco ia subir à escada, os outros agarravam-no e agrediam-no brutalmente. Passado algum tempo, mais nenhum macaco subia à escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir à escada, sendo retirado pelos outros, que o agrediam. Depois de algumas agressões, o novo integrante do grupo já não subia mais à escada. Um segundo macaco, veterano, foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo espectáculo de espancamento ocorreu. Um quarto e, por fim, o último dos veteranos, tendo assim sido substituídos todos os macacos iniciais. Os cientistas, então, ficaram com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a espancar qualquer um que tentasse subir as escadas para agarrar as bananas. Se possível fosse perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:

- "Não sei... Mas as coisas sempre foram assim por aqui..."

 

 

A Fábula do Porco-espinho

 

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram juntar-se em grupos, assim agasalhavam-se e protegiam-se mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor. Por isso decidiram afastar-se uns dos outros e voltaram a morrer congelados, então precisavam fazer uma escolha: Ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros. Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E assim sobreviveram.

Moral da História Na Vida como nos relacionamentos o melhor não é aquela situação ou relação que une pessoas perfeitas, mas aquelas onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e a admirar as suas virtudes.

 

 

Guiados por cegos

Já todos presenciámos ou ouvimos falar do caso de senhora idosa, num canto da rua, confusa e hesitante na tentativa de fazer a travessia diante de um tráfego intenso.
Temerosa, ela não consegue sair do lugar.

Finalmente aparece um cavalheiro que, tocando-lhe, pergunta se poderia atravessar a rua com ela.
Alegre e muito agradecida, a senhora toma o seu braço e juntos partem em direcção ao lado oposto.
É então que ela começou a ficar cada vez mais apavorada ao ver que o cavalheiro ziguezagueava pelo meio da rua enquanto buzinas soavam e travões eram bruscamente accionados com condutores dizendo palavras ofensivas.

Quando finalmente chegam ao outro lado, ela, furiosa, diz-lhe:
- "Você quase nos matou. Você caminha como se fosse um cego!"

- "Mas eu sou cego. Foi por isso que lhe perguntei se podia atravessar a estrada junto com a senhora."

Quando em ocasiões nos encontramos aflitos e temerosos diante de situações difíceis e, aparentemente, sem solução fragilizados e hesitantes, quando aparece alguém propondo uma saída, abraçamos logo a nova possibilidade sem o cuidado de verificar se estamos a caminhar em terra firme ou nos dirigindo a um precipício. 

 

 

Os pregos deixam marcas


Era uma vez um rapazinho que tinha um temperamento muito explosivo.
Um dia, o pai deu-lhe um saco cheio de pregos e uma tábua de madeira.

Disse-lhe que martelasse um prego na tábua cada vez que perdesse a paciência com alguém.
No primeiro dia o rapaz pregou 37 pregos na tábua. Já nos dias seguintes, enquanto ia aprendendo a controlar a ira, o número de pregos martelados por dia foram diminuindo gradualmente.
Ele foi descobrindo que dava menos trabalho controlar a ira do que ter que ir todos os dias pregar vários pregos na tábua...

Finalmente chegou o dia em que não perdeu a paciência uma vez que fosse.
Falou com o pai sobre seu sucesso e sobre como se sentia melhor por não explodir com os outros.
O pai sugeriu-lhe que retirasse todos os pregos da tábua e que lha trouxesse.
O rapaz trouxe então a tábua, já sem os pregos, e entregou-a ao pai.

Este disse-lhe:
- Estás de parabéns, filho! Agora repara nos buracos que os pregos deixaram na tábua. Nunca mais ela será como antes. Quando falas enquanto estás com raiva, as tuas palavras deixam marcas como estas.

A nossa linguagem, com os outros e connosco próprios, tem o poder de transformar as “tábuas” da vida. Dos outros, e acima de tudo da nossa… 

 

 

Quanto tempo?


Era uma vez um menino que saiu de casa para ir estudar com um grande mestre.
Quando conheceu o velho sábio, a primeira pergunta que lhe fez foi:
- Quanto tempo vou demorar a ficar tão sábio quanto tu?
A resposta não se fez esperar

- 5 anos.
- É muito tempo - retorquiu o miúdo. E se eu trabalhar com o dobro do afinco?
- Nesse caso demorarás dez anos – respondeu o mestre.
- É muito tempo. E se eu estudar dia e noite e todas as noites? – disse.
- Quinze anos.
- Não entendo, disse o miúdo. Sempre que prometo dedicar mais energia ao meu objectivo, dizes-me que eu vou demorar ainda mais tempo a atingi-lo. Porquê?
- A resposta é simples.
Com um olho fixo no destino, sobra-te apenas um olho para te guiar ao longo da viagem.

 

 

Dois números abaixo


Um homem entra numa sapataria para comprar uns sapatos.

- Em que posso ser-lhe útil?
- Quero um par de sapatos pretos iguais aos que tem na montra.
- Sim Sr. Ora vejamos, o seu número é o 41. Verdade?
- Não, eu desejo um 39, por favor.
- O Sr. desculpe mas há 20 anos que trabalho neste ramo e o seu numero deve ser um 41. Talvez um 40 mas nunca um 39.
- Traga um 39 já lhe disse.
- Desculpe, permita que lhe meça o pé?
- Pode medir à vontade mas o que eu quero me traga é um 39.

O vendedor tirou da caixa uma fita e anunciou: Vê, eu não lhe disso que era 41?
- Quem é que paga? Sou eu ou você?
- O senhor.
- Então TRAGA-ME UM 39!!!

O vendedor meio resignado, meio surpreendido foi buscar o 39 pensando… talvez o vá oferecer a alguém e até talvez eu tenha sido indelicado…

- Aqui tem, em preto, 39.
- Dá-me a calçadeira?
- Vai calçá-los? São para si?
- Vou, claro que são para mim.
Depois de várias tentativas e ridículas posições o cliente lá conseguiu “encaixar” o pé dentro do sapato.

Entre ais e uis o cliente lá conseguiu dar uns passos na alcatifa com crescente dificuldade.
O vendedor ficou com dores nos pés só de imaginar os pés do cliente completamente esmagados contra os apertados sapatos.

O cliente saiu da loja e percorreu a custo a distância que o separava do seu emprego. Trabalhava como caixa num banco.

Ás 16.00 horas, depois de passar mais de 6 horas de pé dentro daqueles sapatos o seu rosto já se contorcia de dores, olhos vermelhos e as lágrimas escorriam pela face.

O seu colega da caixa do lado passara a tarde a observá-lo ficou preocupado com ele e questionou:

- Que tens? Estás mal disposto?
- Não, são os sapatos, apertam-me.
- Porquê? Molhaste-os e encolheram?
- São 2 números abaixo do meu.
- De quem são os sapatos?
- São meus.

- Não entendo, se esses sapatos são teus porque têm 2 números abaixo?
- Eu explico – disse ele engolindo em seco – tenho poucos prazeres na vida, na verdade são raros os momentos agradáveis.
- E…?
- Estou a dar cabo de mim com estes sapatos, estou a sofrer horrores, é verdade… Mas quando chegar a casa daqui a poucas horas vou descalçá-los e já imaginaste o prazer que vou sentir…
Prazer, que prazer! 

 

 

As duas sementes... 


Na primavera, uma jovem senhora decidiu semear o seu jardim. Enterrou duas sementes, uma ao lado da outra. A primeira semente disse para segunda: “já pensaste como poderá ser divertido?… vamos crescer, as nossas raízes irão aprofundar-se pela terra e, quando elas estiverem fortes, vamos brotar da terra e vamos ficar lindas flores para que todos nos possam ver e admirar!

A segunda semente ouviu mas estava preocupada. “Isso parece-me bem”, disse, “mas a terra não estará muito fria? Estou com medo de estender as minhas raízes... E se alguma coisa não der certo e eu não me tornar bonita? A senhora pode não gostar de mim sei lá… Mete-me muito medo.
A primeira semente, no entanto, não estava intimidada. Empurrou as suas raízes para baixo na terra e começou a crescer. Quando as raízes estavam fortes o suficiente, ela emergiu do solo como uma linda flor.
A senhora inclinou-se cuidadosamente para ela e, orgulhosamente, mostrou a flor perfumada a todos os seus amigos. E enquanto isso a outra semente permanecia dormente.
“Vamos lá”, a flor dizia permanentemente para a sua amiga, “está quente e maravilhoso aqui em cima, no sol!”

A segunda semente estava muito impressionada, mas permanecia amedrontada e com insegurança empurrou uma raiz para o solo.
“Ai!”, disse. A terra ainda está ainda muito fria e dura para mim. Eu não gosto dela. Prefiro ficar aqui na minha própria concha onde estou segura e confortável. Há muito tempo para me tornar uma flor”. Nada do que a primeira semente dissesse mudava a mente da segunda.

Então, um dia, enquanto a senhora estava fora, um pássaro faminto voou no jardim, remexendo o solo, procurando algo para comer. A segunda semente que estava logo abaixo da superfície, estava com muito medo de ser comida.
Mas aquele era o seu dia de sorte. Um gato saltou da janela e espantou o pássaro.

A semente suspirou de alívio! E, nesse momento, tomou uma importante decisão: É uma tolice desperdiçar meu curto tempo aqui na terra”, disse. “Vou seguir as minhas esperanças e sonhos de mudança em vez dos meus medos”. Então, sem outro pensamento, a segunda semente começou a espalhar as suas raízes e também cresceu tornando-se numa linda flor. 

 

 

O que é um sábio?

 

O abade Abraão soube que perto do mosteiro de Sceta havia um sábio. Foi procurá-lo e perguntou-lhe:

"Se hoje encontrasse uma bela mulher na sua cama, conseguiria pensar que não era uma mulher?"

"Não", respondeu o eremita. "Mas conseguiria controlar-me".

O abade continuou: "E se descobrisse moedas de ouro no deserto, conseguiria ver este ouro como se fossem pedras?"

"Não. Mas conseguiria controlar-me para deixá-las onde estavam".

"E se fosse procurado por dois irmãos, um que o odeia, e outro que o ama, conseguiria achar que os dois são iguais?"

Com tranquilidade, ele respondeu: "Mesmo sofrendo, eu trataria o que me ama da mesma maneira que o que me odeia".

Naquela noite, ao voltar para o mosteiro de Sceta, Abraão falou aos seus noviços:

"Vou-vos explicar o que é um sábio. Um sábio é aquele que, em vez de matar as suas paixões, aprende a controlá-las"

 

 

A lição das bananas... 


Certo dia um viajante numa visita a um mosteiro no Nepal, entrou num dos muitos templos e encontrou um monge, sorrindo, sentado no altar.
- Porque sorri? - perguntou ao monge.
- Porque entendo o significado das bananas - disse o monge, abrindo a bolsa que carregava, e tirando uma banana podre de dentro.
- Esta é a vida que passou e não foi aproveitada no momento certo, agora é tarde demais.
Em seguida, tirou da bolsa uma banana ainda verde.
Mostrou-a e voltou a guardá-la.
- Esta é a vida que ainda não aconteceu, é preciso esperar o momento certo - disse.
Finalmente, tirou uma banana madura, descascou-a e dividiu-a com o visitante, dizendo:
- Este é o momento presente.
Saiba vivê-lo no momento certo!

 

O pequeno Peixe... 


Era uma vez, um lindo aquário, enorme, onde havia muitos peixes de vários tipos e tamanhos.
Na parte de cima do aquário estavam os peixes maiores, pois quando a comida caía na água eram os primeiros a comer. Então os peixes de cima estavam sempre satisfeitos, e nunca lhes faltava comida.
Na parte intermediária estavam os peixes de porte médio, havia para eles muita comida ainda, que os grandes peixes da parte de cima não comiam, mas não tinha tanta comida assim para que pudessem ficar grandes.
Na parte de baixo estavam os pequenos peixes. A comida que eles tinham para comer mal dava para sobreviver, pois era a sobra dos peixes de cima.
No meio desse ambiente nasceu um pequeno peixe. Ele não se conformava com aquela situação, e começou a nadar pelo aquário, foi quando encontrou um pequeno buraco e ficou pensando onde aquele buraco poderia levá-lo. Tinha uma grande esperança de mudar aquele quadro onde nasceu. O pequeno peixe então resolveu passar pelo buraco e ver onde ia parar.
Encontrou um fio de água que o levou para um ralo, do ralo caiu num cano, e foi parar a um rio. Observou aquele lugar e viu que era maravilhoso, não faltava comida, tinha espaço suficiente para nadar e ir onde quisesse. Mas o pequeno peixe pensou nos seus amigos do aquário e resolveu voltar para falar a respeito do lugar maravilhoso que encontrou.
Voltou ao aquário e começou a falar com todos sobre o lugar maravilhoso que havia encontrado. Todos os peixes ficaram curiosos e questionaram o que deveriam fazer para chegar a esse local. Foi quando o peixinho informou:
- Os peixes grandes da parte de cima, deverão mudar de lugar, terão que vir para a parte de baixo, para perder peso e assim poder passar pelo pequeno buraco. Os peixes da região intermediária, deverão alimentar-se menos, para perder um pouco de peso também. E os peixes de baixo, deverão se alimentar um pouco mais para obter forças para seguir viagem.
A confusão dentro do aquário começou, muita discussão, muita discórdia, e começaram a se revoltar contra o pequeno peixe. Depois de muita luta os peixes tomaram uma decisão, resolveram matar o peixinho que havia causado tanto transtorno àquele lugar.

 

Ubutun! 


Um antropólogo que estudava os usos e costumes da tribo africana Ubuntu quando terminou o seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta a casa. Sobrava muito tempo. Como ele não queria catequizar os membros da tribo; propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva.
Tinha comprado uma porção de doces na cidade próxima, colocou tudo num cesto com um laço e colocou debaixo de uma árvore. Chamou então as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam correr o mais rápido que conseguissem até o cesto, e a que chegasse primeiro ficaria com todos os doces que lá estavam dentro.
As crianças posicionaram-se na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "já!", instantaneamente todas as crianças deram as mãos e saíram a correr em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.
O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque é que tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo o que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.
Elas simplesmente responderam:

- "Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"
Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!

 

 

O ovo


Certa manhã, Nasrudin colocou um ovo embrulhado num lenço, foi para o meio da praça da sua cidade, e aclamou para todos os que ali estavam:
- Hoje vamos ter um importante concurso! A quem descobrir o que está embrulhado neste lenço eu dou de presente o que lá está dentro!
As pessoas olharam-se, intrigadas, e responderam:
- Como podemos saber? Ninguém aqui é capaz de fazer esse tipo de previsões!
Nasrudin insistiu:
- O que está neste lenço tem um centro que é amarelo como uma gema, cercado de um líquido da cor da clara, que por sua vez está contido dentro de uma casca que se parte facilmente. É um símbolo de fertilidade, e lembra-nos os pássaros que voam para os seus ninhos. Então, quem é que me pode dizer o que é que está aqui escondido?
Todos os habitantes pensavam que Nasrudin tinha um ovo na mão, mas a resposta era tão óbvia, que ninguém quis passar pela vergonha diante dos outros.
E se não fosse um ovo, mas algo muito importante, produto da fértil imaginação mística dos sufis? Um centro amarelo podia significar algo do sol, o líquido ao seu redor talvez fosse um preparado alquímico.
Não, aquele louco estava a querer fazer alguém passar pelo ridículo.
Nasrudin perguntou mais duas vezes, e ninguém respondeu.
Então ele abriu o lenço e mostrou a todos o ovo.

 

 

Côdea ou o Miolo? 


Conta a história que um casal tomava o pequeno almoço no dia das suas bodas de ouro. A mulher barrou a manteiga na côdea do pão e entregou-a ao marido, ficando ela com o miolo.
Ela pensou: "Sempre quis comer a melhor parte do pão, mas amo demais o meu marido e, por cinquenta anos, sempre lhe dei o miolo. Mas hoje quis satisfazer o meu desejo. Acho justo que eu coma o miolo pelo menos uma vez na vida".
Para sua imediata surpresa, o rosto do marido abriu-se num sorriso sem fim e ele disse:
- Muito obrigado por este presente, meu amor. Durante cinquenta anos, sempre desejei comer a côdea do pão, mas como tu sempre gostaste tanto dela, jamais ousei pedir-te!

 

Dê sentido às suas acções 


Três pedreiros preparavam tijolos numa construção. Um homem que passava aproximou-se do primeiro e perguntou:
- O que está a fazer, amigo?

- Tijolos... - respondeu secamente.
Dirigindo-se ao segundo pedreiro, o homem perguntou-lhe a mesma coisa:

- A Trabalhar pelo meu salário... - foi a resposta.
Para o terceiro pedreiro, o passante fez novamente a mesma pergunta:

- O que está fazer, amigo?
Fitando o estranho com alegria, o operário, respondeu com entusiasmo:

- Construindo uma catedral!
 

 

A corda sobre o abismo 


Os discípulos perguntaram certa vez ao seu Rabi:- Explique-nos, querido Rabi como podemos servir a Deus?
Ele respondeu:

- Como posso saber?… - então, passou a contar-lhes esta história:

Um rei tinha dois amigos que foram declarados culpados de um crime e condenados à morte. Ora, embora o rei gostasse muito deles, não ousou libertá-los imediatamente por medo de dar um mau exemplo ao seu povo. Por isso, este foi o seu veredicto:

- Uma corda deve ser esticada sobre um abismo profundo e cada um dos dois homens caminhará sobre ela - para a salvação e a liberdade ou, se caírem, para a morte.

O primeiro atravessou com segurança. O outro gritou para o primeiro, através do abismo:

- Amigo como conseguiste?
Ao que o primeiro respondeu:
- Como posso saber? Tudo que fiz foi isto: quando me via pendendo para um lado, inclinava-me para o outro lado.

 

 

Aprender com a História... 


Quando Krushchev pronunciou a sua célebre denúncia contra Stalin, comenta-se que alguém no Salão do Congresso teria dito:

- Onde estava você, camarada Krushchev, quando todas essas pessoas estavam a ser massacradas?

Krushchev parou, percorreu o Salão com os olhos e disse:

- O homem que acabou de fazer essa pergunta poderia ter a bondade de se levantar?

A tensão foi crescendo no grande Salão. Ninguém se mexeu. Ninguém abriu a boca. Até que Krushchev disse:

- Bem, seja lá quem for, já tem a resposta à sua pergunta. Eu estava exatamente na mesma posição em que você está agora.

 

 

Quanto vale a Vida de um "prego"? 


Na vila foi construída uma nova igreja e as pessoas vinham de todas as direcções para a admirar. Passavam horas a admirar a sua única beleza!
Lá em cima, no telhado, um pequeno prego assistia a tudo impaciente. Ouvia as pessoas a elogiar todas as partes da encantadora estrutura - exceto o prego!
Nem sequer sabiam que estava lá, nem admiravam a sua importância. Com os seus pensamentos, veio a angústia, a irritação e os ciúmes.
“- Se sou tão insignificante, ninguém sentirá minha falta! ”
Então o prego desistiu da sua vida, deixou de fazer pressão e foi deslizando, deslizando... até cair ao chão.
Inesperadamente, naquela noite choveu e choveu muito. Onde faltava o prego, o telhado começou a ceder, separando as telhas. A água escorreu pelas paredes e pelos bonitos murais. O gesso começou a cair, o tapete manchado e a bíblia ficara arruinada pela água. O amanhecer mostrava agora um cenário desolador de inundação, cores desbotadas e toda aquela beleza devastada, perante o olhar incrédulo, desiludido e triste de toda a população.
Tudo isto porque um pequeno prego desistira do seu trabalho!
E o prego?
Ao segurar a madeira no telhado, era obscuro mas era útil.
Agora, enterrado no lamaçal, não só continuara obscuro, como também se tornara um completo inútil que acabou comido pela ferrugem 

 

 

Economizar ou roubar? 
 

Foi numa tarde ensolarada de sábado.
Um amigo e pai orgulhoso, levou os seus dois filhos para jogar minigolfe.
Ao dirigir-se à bilheteira questionou:
- Quanto é a entrada?
O jovem respondeu:

- Três Euros para o senhor e três Euros para cada criança acima de seis anos. A entrada é livre para as crianças de seis anos ou menos. Quantos anos eles têm?
O meu amigo respondeu:

- O mais novo tem três e o mais velho tem sete, então, acho que lhe devo seis Euros.
O homem da bilheteira disse:

- Ouça, o senhor acabou de ganhar o totoloto ou coisa parecida? O senhor poderia ter economizado três Euros. Bastaria ter dito que o mais velho tinha seis anos e eu não saberia a diferença.
O meu amigo respondeu:

- É, pode ser, mas os meus filhos saberiam.

 

 

O cheque de 100 EUR e a crise

 

Numa pequena vila no Algarve (Sul de Portugal), chove, e nada de especial acontece. A crise sente-se. Toda a gente deve a toda a gente, carregada de dívidas. Subitamente, um turista russo, muito rico, chega ao lobby de um pequeno hotel local. Pede um quarto e coloca uma nota de €100 sobre o balcão, pede uma chave de quarto e sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição de desistir se lhe não agradar. O dono do hotel pega na nota de €100 e corre ao fornecedor de carne a quem deve €100, o talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar €100 que devia há algum tempo, este por sua vez corre ao criador de gado que lhe vendera a carne e este por sua vez corre a entregar os €100 a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito. Esta recebe os €100 e corre ao hotel a quem devia €100 pela utilização casual de quartos à hora para atender clientes. Neste momento o russo rico desce à recepção e informa o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos 100€. Recebe o dinheiro e sai.

 

Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescentado. Contudo, todos liquidaram as suas dívidas e estes elementos da pequena vila costeira encaram agora muito mais optimisticamente o futuro.

 

 

A nossa Vida é simples assim? 

Uma noite, um velho índio Cherokee contou ao seu neto sobre uma batalha que acontece todos os dias dentro das pessoas.

Ele disse:
- Meu filho, a batalha é entre dois lobos dentro de todos nós.
Um é mau: é a raiva, a inveja, o ciúme, a tristeza, o desgosto, a arrogância, a pena de nós mesmos, a culpa, o ressentimento, a inferioridade, as mentiras, a superioridade.

O outro é bom: é a alegria, a paz, a esperança, a serenidade, a bondade, a benevolência, a empatia, a generosidade, a verdade, a compaixão e a fé.

O neto pensou naquilo por alguns minutos e perguntou ao seu avô:
- Qual o lobo que vence?

O velho Cherokee simplesmente respondeu:
- O que você alimenta...

 

 

Os ovos a cenoura e o café

A Vida de Maria não passava por momentos fáceis e tudo à sua volta estava com desafios extraordinários.
Lamentou-se ao seu pai sobre a sua vida e de como as coisas estavam tão difíceis para ela.
Ela já não sabia mais o que fazer, queria desistir. Estava cansada de lutar e combater e parecia que nada mudava. Parecia que assim que um problema estava resolvido um outro surgia.
O seu pai, "um chef", levou-a até a cozinha dele. Encheu três panelas com água e colocou cada uma delas em lume alto.
Numa das panelas colocou cenouras, na outra colocou ovos e, na última pó de café.
Deixou que tudo fervesse, sem dizer uma palavra. A filha deu um suspiro e esperou impacientemente, imaginando o que ele estaria a fazer.

Cerca de vinte minutos depois, ele apagou o lume. Retirou as cenouras e colocou-as num prato. Retirou os ovos e colocou-os numa tigela. Então, com uma concha colocou o café numa caneca.

Virando-se para ela, perguntou: Querida o que vês agora?
Cenouras, ovos e café, respondeu ela.

Ele trouxe-a para mais perto e pediu-lhe que experimentasse as cenouras.
Ela obedeceu e notou que as cenouras estavam macias.
Ele então, pediu-lhe que pegasse o ovo e o quebrasse.
Ela obedeceu e depois de retirar a casca verificou que o ovo endureceu com a fervura.
Finalmente, ele pediu-lhe que tomasse um gole do café.
Ela sorriu ao provar o seu aroma delicioso.
Ela perguntou: o que isto significa, pai?
Ele explicou que cada um deles havia enfrentado a mesma adversidade, a água a ferver, ainda assim cada um reagira de forma diferente.
A cenoura entrara forte, firme e inflexível. Mas depois de ter sido submetida a água a ferver, ela amoleceu e tornou-se frágil.
Os ovos eram frágeis. A casca fina protegeu-o do seu liquido interior. Mas após terem sido colocados na água a ferver, o seu interior tornou-se mais rijo.
O pó de café, contudo, era incomparável. Depois de ser submetido à água a ferver, ele mudou a própria água.

Qual deles queres ser? perguntou o pai à filha.
Quando a adversidade bate à sua porta, como vais querer responder?
Queres ser uma cenoura, um ovo ou pó de café?
Tu queres ser como a cenoura que parece forte, mas com a adversidade fica mole e se torna frágil perdendo força?
Será que queres ser como o ovo, que começa com um coração maleável, mas depois de uma adversidade, se torna mais difícil e duro? A sua casca parece a mesma, mas estás mais amarga e obstinada, com o coração e o espírito inflexíveis?
Ou será que queres ser como o pó de café, que muda a água, a adversidade, para conseguir o Máximo do seu sabor?

 

 

Um cão chamado Poyoke

 

Certo dia, João comprou um cão. Chamou-lhe Poyoke. Poyoke era um cão pequeno, muito rápido, muito brincalhão e todos o consideravam extraordinariamente inteligente e astuto. Poyoke tinha uma perdição: logo que via uma bola a saltar, lá ia ele, disparado na sua direcção… A relação entre João e o seu rafeiro era perfeita. O João era o dono, o Poyoke era o cão. Sempre que João chegava a casa Poyoke ladrava, saltava, fazia festas, percorrendo os longos corredores da casa. João nem sempre vinha em disposição e por vezes nem um pequeno sorriso esboçava. Mas o nosso pequeno Poyoke, parecendo indiferente, no dia seguinte lá estava, com toda a sua energia e determinação, aos saltos pela casa mostrando toda a sua alegria no regresso a casa do seu dono. No fundo ele era um cão, e isso era o que qualquer cão fazia.

Certo dia João ao entrar na porta do seu prédio deu de caras com um lindo gato que tinha um miar celestial e melodioso. João ficou encantado. Claro que continuava a gostar do seu cão, mas aquele miar encantava-o. Assim que João chegou a casa, sentou-se em frente do seu estimado amigo Poyoke e ensinou-o a miar. Poyoke era um cão inteligente e ainda que não entendesse bem o motivo, esforçou-se por imitar “um tal” miar. O miar não ficou perfeito, ainda assim o seu empenho aparentemente agradou a seu dono. João ficou encantado. Com frequência contava orgulhosamente o seu feito aos colegas do escritório.

Tempos depois, João cruzou-se com um majestoso e encorpado cavalo. João adorava cavalos. Este cavalo era lindo, grande e forte. A primeira vez que o montou ficou encantado. Logo que chegou a casa aproximou-se do seu pequeno Poyoke e disse-lhe:

- Poyoke, meu fiel amigo, levanta-te. De hoje em diante serás o meu cavalo. Vamos iniciar o nosso treino.

Poyoke empenhou-se… empenhou-se até à exaustão, mas poucos metros à frente a sua aventura como cavalo chegara ao fim. Poyoke e seu dono entenderam que aquele sonho não fazia mais sentido. Poyoke, era um cão, nunca poderia ser um grande e majestoso cavalo.

Eis que nesse instante, João toma uma decisão repentina e inesperada. Decide abandonar o seu pequeno Poyoke. Na hora da despedida apenas lhe disse:

- Lamento… percebi agora que para além de entender que nunca serás um bom cavalo, o teu miar me irrita.

Poyoke partiu confuso e desgostoso. Só queria entender… Pensava, pensava, pensava! Após várias semanas de angústia, de repente Poyoke parou. Sorriu... Descobrira! Imediatamente começou a correu e a ladrar atrás de uma bola que saltava no parque.

 

 

A Canoa do passado

 

Nasrudin estava na margem de um rio e queria passar para o outro lado. A correnteza era muito forte e seria impossível atravessá-lo a nado. Foi quando Nasrudin viu uma pequena canoa presa na vegetação ribeirinha. Rapidamente colocou o bote na água e pôs-se a remar para o outro lado. Com a ajuda da canoa, ele rapidamente atingiu a outra margem. Assim que colocou os pés em terra firme, pegou a canoa, colocou-a nas costas e partiu em direcção à floresta. Algumas pessoas que haviam observado toda a cena, ficaram espantados com aquela atitude inesperada de Nasrudin. Eles perguntaram-lhe então:

"Por que você colocou a canoa nas costas? De que ela lhe servirá agora que você já atravessou o rio?"

Nasrudin então, já um pouco vermelho, suado e cansado do esforço em carregar a embarcação nas costas, respondeu-lhes:

"Essa canoa ajudou-me muito a atravessar o rio. Eu não posso abandoná-la. Espero que agora ela me ajude também a atravessar a floresta."

Assim somos nós. Ficamos apegados ao passado e transformamo-lo num pesado fardo em nossas vidas… condicionando assim os limites do nosso crescimento.

 

 

O que querem as mulheres?

 

O jovem Rei Arthur foi surpreendido pelo monarca do reino vizinho enquanto caçava furtivamente num bosque. O Rei poderia tê-lo matado no ato, pois era o castigo para quem violasse as leis da propriedade, contudo se comoveu ante a juventude e a simpatia de Arthur e lhe ofereceu a liberdade, desde que no prazo de um ano trouxesse a resposta a uma pergunta difícil. A pergunta era:

- O que querem as mulheres?

Semelhante pergunta deixaria perplexo até o mais sábio, e ao jovem Arthur lhe pareceu impossível de respondê-la. Contudo aquilo era melhor do que a morte, de modo que regressou a seu reino e começou a interrogar as pessoas: a princesa, a rainha, as prostitutas, os monges, os sábios, o bobo da corte, em suma, a todos e ninguém soube dar uma resposta convincente.

Porém todos o aconselharam a consultar a velha bruxa, porque somente ela saberia a resposta. O preço seria alto, já que a velha bruxa era famosa em todo o reino pelo exorbitante preço cobrado pelos seus serviços.

Chegou o último dia do ano acordado e Arthur não teve mais remédio senão recorrer a feiticeira. Ela aceitou dar-lhe uma resposta satisfatória, com uma condição: primeiro aceitaria o preço. Ela queria casar-se com Gawain, o cavaleiro mais nobre da mesa redonda e o mais intimo amigo do Rei Arthur! O jovem Arthur a olhou horrorizado: era feíssima, tinha um só dente, desprendia um fedor que causava náuseas até a um cachorro, fazia ruídos obscenos... nunca havia topado com uma criatura tão repugnante.

Acovardou-se diante da perspectiva de pedir a um amigo de toda a sua vida para assumir essa carga terrível. Não obstante, ao inteirar-se do pacto proposto, Gawain afirmou que não era um sacrifício excessivo em troca da vida de seu melhor amigo e a preservação da Mesa Redonda.

Anunciadas as bodas, a velha bruxa, com sua sabedoria infernal, disse: O que realmente as mulheres querem é Serem Soberanas de suas próprias vidas!!

Todos souberam no mesmo instante que a feiticeira havia dito uma grande verdade e que o jovem Rei Arthur estaria salvo.

Assim foi, ao ouvir a resposta, o monarca vizinho lhe devolveu a liberdade.

Porém que bodas tristes foram aquelas.....toda a corte assistiu e ninguém sentiu mais desgarrado entre o alívio e a angústia, que o próprio Arthur. Gawain, se mostrou cortês, gentil e respeitoso. A velha bruxa usou de seus piores hábitos, comeu sem usar talheres, emitiu ruídos e um mau cheiro espantoso.

Chegou a noite de núpcias. Quando Gawain, já preparado para ir para a cama, aguardava sua esposa, ela apareceu como a mais linda e charmosa mulher que um homem poderia imaginar! Gawain ficou estupefato e lhe perguntou o que havia acontecido. A jovem lhe respondeu com um sorriso doce, que como havia sido cortês com ela, a metade do tempo se apresentaria horrível e outra metade com o aspecto de uma linda donzela.

Então ela lhe perguntou qual ele preferiria para o dia e qual para a noite. Que pergunta cruel...Gawain se apressou em fazer cálculos... Poderia ter uma jovem adorável durante o dia para exibir a seus amigos e a noite na privacidade de seu quarto uma bruxa espantosa ou quem sabe ter de dia uma bruxa e uma jovem linda nos momentos íntimos de sua vida conjugal.

 

Você, o que teria preferido? ... O que teria escolhido?????

 

A escolha que fez Gawain está, mais adiante, porém, antes tome a sua decisão.

 

ATENÇÃO É MUITO IMPORTANTE QUE VOCÊ SEJA SINCERO.

 

O nobre Gawain respondeu que ...

 

a deixaria escolher por si mesma.

 

Ao ouvir a resposta, ela anunciou que seria uma linda jovem de dia e de noite, porque ele a havia respeitado e permitido ser SOBERANA DE SUA PRÓPRIA VIDA.

 

MORAL DA HISTÓRIA... Não importa se a mulher é bonita ou feia ... no fundo ela é sempre uma bruxa. No entanto poderá aparecer sempre como uma fada ... se lhe fizeres todas as vontades!!!

 

 

A Fábula do Vendedor de Cachorro-Quente e a Crise

 

Era uma vez um homem que vivia na beira de uma estrada vendendo cachorro-quente. Ele não tinha rádio, TV e nem lia Jornal. Preocupava-se apenas em produzir e vender bons cachorros-quentes. Prezava muito a qualidade do pão, da Salsicha e do atendimento ao seu cliente.

 

Ele também sabia divulgar como ninguém o seu produto: colocava cartazes pela estrada, oferecia em voz alta e o povo comprava. Quando alguém passava em frente a sua barraca ele gritava: – olha o cachorro quente especial!

 

Usando o melhor pão e a melhor salsicha, o negócio como não podia ser diferente, prosperava. Ele começou a formar uma clientela fiel que voltava sempre e trazia cada vez mais gente para sua barraca de cachorro-quente, até que ele construiu uma grande loja e como estava prosperando cada vez mais, mandou seu filho estudar na melhor faculdade do país.

 

Um dia, seu filho já formado voltou para casa. E falou ao pai:

 

- Pai, você não ouve a rádio, não vê TV, não lê os Jornais? A situação é crítica, o país vai falir.

 

Depois de ouvir isso, o homem pensou: “Meu filho estudou fora, lê jornais e vê TV. Deve estar com a razão.”

 

E com medo, e a fim de economizar preocupado com a tal crise, procurou um fornecedor mais barato para o pão e as salsichas de menor qualidade. Além disso, para economizar mais ainda, parou de fazer os seus cartazes de propaganda que espalhava pela estrada. Abatido pela notícia da crise já não oferecia seu produto em alta voz. Ou seja, parou de fazer sua propaganda.

 

As vendas, é claro, cairam até o negócio falir.

 

Então o pai muito triste, falou para o filho:

 

- Você estava certo meu filho, estamos mesmo no pior momento de todos os tempos.

 

 

Os Três Conselhos

 

Um casal de jovens recém-casados, era muito pobre e vivia de favores num sítio do interior.
Um dia o marido fez a seguinte proposta à sua esposa:
— Querida eu vou sair de casa, vou viajar para bem longe, arranjar um emprego e trabalhar até ter condições para voltar e dar-te uma vida mais digna e confortável.
Não sei quanto tempo vou ficar longe, só peço uma coisa, que tu me esperes e, enquanto estiver fora, me sejas fiel a mim, pois eu serei fiel a ti.
Assim sendo o jovem saiu.
Andou muitos dias a pé, até que encontrou um fazendeiro que estava precisando de alguém para ajudá-lo em sua fazenda.
O jovem chegou e ofereceu-se para trabalhar, no que foi aceite.
Pediu para fazer um pacto com o patrão, que também foi aceite.
O pacto seria o seguinte:
— Deixe-me trabalhar pelo tempo que eu quiser e quando eu achar que devo ir, o Senhor me dispensa das minhas obrigações.
— Eu não quero receber o meu salário.
Peço que o Senhor o coloque na poupança, até o dia em que eu for embora. - No dia em que eu sair o Senhor me dá o dinheiro e eu sigo o meu caminho.
Tudo combinado.
Aquele jovem trabalhou durante vinte anos, sem férias e sem descanso.
Depois de vinte anos chegou para o patrão e disse:
— Patrão, eu quero o meu dinheiro, pois estou voltando para a minha casa.
O patrão então lhe respondeu:
— Tudo bem, afinal, fizemos um pacto e vou cumpri-lo, só que antes, quero lhe fazer uma proposta, está bem?
— Eu dou-lhe todo o seu dinheiro e você vai embora ou então eu dou-lhe três conselhos e não lhe dou o dinheiro e você vai-se embora.
Se eu lhe der o dinheiro eu não lhe dou os conselhos e se eu lhe der os conselhos eu não lhe dou o dinheiro.
— Vá para o seu quarto, pense e depois dè-me a resposta.
Ele pensou durante dois dias, procurou o patrão e disse-lhe:
— Quero os três conselhos.
O patrão novamente frisou:
— Se lhe der os conselhos, não lhe dou o dinheiro.
E o empregado respondeu:
— Quero os conselhos.
O patrão então disse:
01) Nunca tome atalhos em sua vida, caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar a sua vida;
02) Nunca seja curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade para o mal pode ser mortal;
03) Nunca tome decisões em momentos de ódio ou de dor, pois você pode-se arrepender e ser tarde demais.
Após dar os conselhos, o patrão disse ao rapaz, que já não era tão jovem assim:
— Aqui você tem três pães, dois para você comer durante a viagem e o terceiro é para comer com sua esposa quando chegar a sua casa.
O homem então, seguiu seu caminho de volta, depois de vinte anos longe de casa e da esposa que ele tanto amava.
Após o primeiro dia de viagem, encontrou um andarilho que o cumprimentou e lhe perguntou:
— Pra onde você vai?
Ele respondeu:
— Vou para um lugar muito distante que fica a mais de vinte dias de caminhada por esta estrada.
O andarilho disse-lhe então:
— Rapaz, este caminho é muito longo, eu conheço um atalho em que você chega em poucos dias.
O rapaz contente, começou a seguir pelo atalho, quando se lembrou do primeiro conselho, então voltou e seguiu o caminho normal.
Dias depois soube que o atalho levava a uma emboscada.
Depois de alguns dias de viagem, cansado ao extremo, achou uma pensão à beira da estrada, onde pôde hospedar-se.
Pagou a diária e após tomar um banho deitou-se para dormir.
De madrugada acordou assustado com um grito estarrecedor.
Levantou-se de um salto só e dirigiu-se à porta para ir até o local do grito.
Quando estava abrindo a porta, lembrou-se do segundo conselho.
Voltou, deitou-se e dormiu.
Ao amanhecer, após tomar o café, o dono da hospedagem perguntou-lhe se ele não havia ouvido um grito e ele disse que tinha ouvido.
O hospedeiro disse:
E você não ficou curioso? ele disse que não.
No que o hospedeiro respondeu :
— Você é o primeiro hóspede a sair vivo daqui, pois meu filho tem crises de loucura; grita durante a noite e quando o hospede sai, mata-o e enterra-o no quintal.
O rapaz prosseguiu na sua longa jornada, ansioso por chegar a sua casa.
Depois de muitos dias e noites de caminhada...
Já ao entardecer, viu entre as árvores a fumaça de sua casinha, andou e logo viu entre os arbustos a silhueta de sua esposa.
Estava anoitecendo, mas ele pôde ver que ela não estava só.
Andou mais um pouco e viu que ela tinha entre as pernas, um homem a quem estava acariciando os cabelos.
Quando viu aquela cena, o seu coração encheu-se de ódio e amargura e decidiu correr de encontro aos dois e a matá-los sem piedade.
Respirou fundo, apressou os passos, quando se lembrou do terceiro conselho.
Então parou, refletiu e decidiu dormir aquela noite ali mesmo e no dia seguinte tomar uma decisão.
Ao amanhecer, já com a cabeça fria ele disse:
— Não vou matar minha esposa e nem o seu amante.
Vou voltar para o meu patrão e pedir que ele me aceite de volta.
Só que antes, quero dizer à minha esposa que sempre lhe fui fiel.
Dirigiu-se à porta da casa e bateu.
Quando a esposa abre a porta e o reconhece, atira-se ao seu pescoço e abraça-o afetuosamente.
Ele tenta afastá-la, mas não consegue.
Então com lágrimas nos olhos, diz-lhe:
— Eu fui-te fiel e tu traíste-me...
Ela espantada responde-lhe:
Como ? Eu nunca te trai, esperei durante esses vinte anos.
Ele então perguntou-lhe:
— E aquele homem que tu  estavas acariciando ontem ao entardecer?
E ela disse-lhe:
— Aquele homem é o nosso filho.
— Quando tu foste embora, descobri que estava grávida.
Hoje ele está com vinte anos de idade.
Então o marido entrou, conheceu, abraçou o seu filho e contou-lhes toda a sua história, enquanto a esposa preparava o café.
Sentaram-se para tomá-lo e comerem juntos o último pão.
Após a oração de agradecimento, com lágrimas de emoção, ele parte o pão e ao abri-lo, encontra todo o seu dinheiro, o pagamento por seus vinte anos de dedicação.

 

Conto de Natal: Quero voar!

 

Naquele Natal especial, num planeta distante, muitos milhares de crianças fizeram o mesmo pedido, por escrito, ao Pai Natal: “Quero voar!”. O desejo foi atendido de uma forma muito subtil. Milhares de cientistas ao mesmo tempo, em todo o planeta, descobriram uma forma de voar com baixo custo e muito rápido. O dispositivo desenvolvido parecia uma mochila com asas que fazia o corpo levantar voo e era controlada pelos movimentos das mãos, dos pés e também pelo pensamento. Podia viajar-se para qualquer lugar a qualquer momento e qualquer velocidade, com um custo muito baixo. Um euro de energia dava para mais de 100.000 quilómetros. Não fazia barulho nem deitava fumo. Tudo limpinho. Foi uma alegria para todas as crianças os meses e anos que se seguiram. Também os adultos podiam voar mas muito poucos arriscavam com medo de cair. Afinal nunca ninguém tinha voado até alí e muitos ficavam pálidos só de pensar na ideia. O automóvel, o comboio e o avião é que tinha sido a sua forma de viajar toda a vida. Porquê mudar agora? Mas... a pouco e pouco foram desaparecendo as estradas, os caminhos de ferro e mais tarde os aeroportos. Andava tudo pelos ares. Os pássaros é que não gostavam muito mas foram-se habituando a partilhar o espaço que foi sempre seu. Os países também deixaram de existir. Já não fazia mais sentido as fronteiras. Qualquer um ia de um país ao outro em minutos ou segundos conforme a velocidade escolhida. Só não se podia ultrapassar a velocidade da luz. O Pai Natal também deixou de distribuir as suas pendas da forma habitual. Eram as crianças que as iam buscar pelo ar. A Lapónia enchia-se de gente na noite e no dia de Natal mas estava tudo muito bem organizado e havia lugar para todos. Uns anos mais tarde, um destes miúdos, agora já avô, estava com o seu neto ao colo a contar as suas histórias de infância e dizia: Naquele tempo íamos de um lugar ao outro dentro de veículos e o mais rápido era o avião. E diz o neto: -Veículos? Avião? Oh avô, o que é um avião?

 

 

Mensagem final

As palavras a seguir foram escritas no túmulo de um bispo anglicano (1100 d.C.), nas grutas da abadia de Westminster:

Quando era jovem e livre, e minha imaginação não tinha limites, eu sonhava em mudar o mundo.
Quando fiquei mais velho e mais sábio, descobri que o mundo não mudaria, e assim reduzi um pouco os limites de meu ideal e decidi mudar apenas o meu país.
Porém este, também, parecia imutável.
À medida que chegava ao crepúsculo, numa última e desesperada tentativa, procurei mudar apenas a minha família, aqueles mais próximos a mim, mas, ai de mim, eles não mudaram.

E agora, deitado no meu leito de morte, subitamente percebo:
Se eu tivesse apenas mudado a mim mesmo primeiro, então, pelo exemplo, eu teria mudado a minha família.
Com a sua inspiração e estímulo, eu poderia ter melhorado o meu país e, quem sabe até, ter mudado o mundo.

 

 

 

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